quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Velhos novos tempos

Este post é escrito por um grande amigo meu que pediu para eu postar aqui uma cronica dele, segue:

Estive pensando em muitas coisas nesses últimos tempos. Lembrando de lugares, pessoas, como eram, como estão. É muito bom reencontrar pessoas que faziam parte de sua vida, quase que diariamente, e devido aos compromissos, que dia após dia vão aumentando, passamos a vê-los menos (ou a não vê-los). Lembrar de uma arte que fizeram juntos, de um colega que chacotavam, uma paixão, ou duas. Tudo isso, para mim, me faz voltar a sentir, por um breve tempo, o que sentia quando “era feliz e não sabia”.

Mas na verdade não vim aqui pra falar da minha infância. Isso realmente seria tedioso. Mas quis começar esse post (o meu 1°) desta maneira porque foi pensando no passado e rostos quase esquecidos que achei um quase irreconhecível: o meu. Vi um garoto alegre, queria revolucionar, mudar as coisas, mas além disso, era um cara que sabia o que fazer (ou achava que sabia), mas que hoje não tem tantas certezas. A idade nos traz isso de brinde: as dúvidas. A música sempre teve e sempre vai ter uma importância enorme na minha vida, e viveria dela se fosse mais competente. Mas penso que não é tarde para buscar algo tão compensador.

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Pois foi falando de música, do passado, de atitude, que ouvi um desabafo de um amigo (um irmão) que sempre foi um exemplo pra mim. Um cara inteligente, de atitude mas que está com as duas mãos amarradas, e aquele desabafo não saiu mais da minha cabeça, pois sabia que eu era responsável por pelo menos um dos nós que o atavam. Ouvindo este desabafo, para não citar nomes, estavam dois guitarristas e vocalistas, um baterista, um vocalista, e ele, o baixista. Todos ali, em alguma oportunidade, já haviam tocado juntos, e era inegável o talento (individualmente falando) de todos ali que canastreavam e bebiam e fumavam e afins; e nenhum dos que ali se embriagavam estavam tocando em banda nenhuma, ou fazendo carreira solo (bem, na Carreira tinha alguns...) e isso era no mínimo REVOLTANTE!! Pois todos ali queriam/querem viver da música mas não estavam/estão fazendo nada.

 

guitarra quebrada[1]

 

Diante de tal apatia que se deu o tal desabafo que falei anteriormente. Nele ouvi revolta, razão, emoção, coerência, mas ouvi isso com um peso enorme, que me fez sentir com 50 anos. Uma partida e outra eram interrompidas por um baixista que dizia: “Cara, a gente é jovem, já fizemos muitas coisas, loucuras, e todos aqui tem um potencial enorme pra fazer muita merda! Quebrar umas guitarras, baquetas, vocês entendem?! Mas ao invés disso estamos sentados aqui dentro de uma garagem em pleno sábado jogando carta? - bati, passa o morto - Não entendo como podemos ficar assim, apáticos, e não nos revoltarmos. Vamos fazer algo! - digo, não agora, porque to quase batendo - mas vamos fazer música, ou barulho mesmo, mas o mais importante: vamos fazer história! Não pra fazer sucesso ou para ganhar fama, isso vai acontecer sem que a gente perceba, mas sim pra gente nos sentarmos daqui a uns 30 anos nessa mesma cena e podermos lembrar de algo...”

Ouvir aquilo fez minha barriga doer. Senti náuseas causadas pela indignação que passei a dividir com todos que ouviam. E quando essa dor passar tentarei escrever mais...

 

Mauricio Alexandre - 01/10/2010

 

Fotos: Google

2 comentários:

CIGANA DO ROCK CARLOS H. SILVA disse...

muito massa, acho que todos ja sentiram algo parecido em alguma fase da vida!!! ROCK!!!

Mauricio disse...

soh qria dizer que eh uma satisfação pra mim ter postado um testo meu no teu blog, Gremista. E, claro, vlw mesmo Thiago, por ser a inspiração pro meu texto. hehehehehe q romantico. geageuhauheau abraços.